XML TISS: o que é e como funciona

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O XML TISS é o formato eletrônico utilizado para a troca de informações administrativas e assistenciais entre prestadores de serviços de saúde e operadoras de planos de saúde no Brasil. Ele faz parte do padrão TISS, regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, e é essencial para garantir a padronização, a rastreabilidade e a segurança no faturamento médico.

Clínicas, consultórios, hospitais e laboratórios que atendem convênios precisam enviar informações estruturadas sobre atendimentos, procedimentos, exames e internações. O XML TISS é o meio técnico que viabiliza essa comunicação de forma digital e padronizada.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que é o XML TISS
  • Como ele se relaciona com o padrão TISS
  • Como funciona tecnicamente
  • Quais são seus principais componentes
  • Erros mais comuns
  • Como evitar rejeições e glosas

O que é XML TISS?

O XML TISS é um arquivo estruturado no formato XML (Extensible Markup Language) que contém todas as informações necessárias para o faturamento de serviços de saúde junto às operadoras.

Ele não é apenas um “arquivo digital”, mas um documento técnico com:

  • Estrutura padronizada
  • Campos obrigatórios
  • Hierarquia definida
  • Regras de validação
  • Versões específicas

O objetivo do XML TISS é permitir que diferentes sistemas (prestador e operadora) “conversem” entre si utilizando uma linguagem comum.

Relação entre XML TISS e padrão TISS

É importante diferenciar:

  • Padrão TISS → conjunto de normas e regras
  • XML TISS → formato técnico usado para implementar essas regras

O padrão TISS define:

  • Tipos de guias
  • Layouts
  • Regras de preenchimento
  • Versões obrigatórias
  • Processos de troca de informação

O XML TISS é a materialização técnica dessas regras.

Por que o TISS é obrigatório?

A ANS determinou a obrigatoriedade do padrão TISS para:

  • Padronizar informações
  • Reduzir inconsistências
  • Aumentar transparência
  • Melhorar auditoria
  • Facilitar fiscalização

Sem o XML TISS padronizado, cada operadora poderia exigir formatos distintos, o que tornaria o processo caótico.

Como funciona o TISS na prática

O funcionamento do TISS envolve algumas etapas principais:

1️⃣ Atendimento do paciente

O prestador realiza:

  • Consulta
  • Exame
  • Procedimento
  • Internação

2️⃣ Geração da guia TISS

Dependendo do serviço:

  • Guia de Consulta
  • Guia SP/SADT
  • Guia de Internação
  • Guia de Honorário
  • Guia de Outras Despesas

3️⃣ Estruturação do XML

O sistema de faturamento converte as informações da guia em um arquivo XML estruturado conforme o layout vigente.

4️⃣ Validação

O XML deve ser validado quanto a:

  • Estrutura
  • Versão correta
  • Campos obrigatórios
  • Consistência de dados

5️⃣ Envio à operadora

O arquivo é transmitido eletronicamente para análise.

Estrutura técnica do XML TISS

Um XML TISS possui:

Cabeçalho (Header)

Contém informações como:

  • Identificação do prestador
  • Identificação da operadora
  • Versão do layout
  • Número do lote

Corpo (Body)

Contém:

  • Dados do beneficiário
  • Dados do atendimento
  • Procedimentos realizados
  • Valores
  • Datas

Fechamento (Trailer)

Confirma:

  • Quantidade de guias
  • Total de valores

A hierarquia é rígida e deve respeitar exatamente o layout publicado.

Componentes fundamentais do XML TISS

Identificação do prestador

  • CNPJ
  • Registro na operadora
  • CNES (quando aplicável)

Identificação do beneficiário

  • Número da carteirinha
  • Plano
  • Dados pessoais

Procedimentos

  • Código do procedimento
  • Quantidade
  • Valor unitário
  • Valor total

Datas

  • Data de atendimento
  • Data de emissão
  • Período de internação

Versões do TISS

O XML TISS possui versões específicas que acompanham as atualizações do padrão.

Problemas comuns:

  • Enviar versão antiga
  • Não atualizar sistema
  • Incompatibilidade com operadora

A versão correta deve ser sempre confirmada antes do envio. Segue, abaixo, uma lista com as últimas versões do padrão TISS e a primeira competência em que consta como vigente.

VersãoInício de vigência (ANS)Primeira competência
04.03.0001/12/2025nov/2025
04.02.0001/06/2025mai/2025
04.01.0001/12/2022nov/2022
04.00.0101/12/2021nov/2021
04.00.0001/08/2021jul/2021
03.05.0001/06/2020mai/2020
03.04.0101/10/2019set/2019
03.04.0001/06/2019mai/2019
03.03.0301/01/2018dez/2017
03.03.0210/04/2017abr/2017
03.03.0101/10/2016set/2016
03.03.0001/06/2016mai/2016
03.02.0201/05/2016abr/2016
03.02.0101/01/2016dez/2015
03.02.0026/05/2014mai/2014

Fonte: ANS – Agência Nacional de Saúde

Erros mais comuns no TISS

O não cumprimento das regras gera:

XML TISS rejeitado

Causas frequentes:

  • Campo obrigatório ausente
  • Estrutura inválida
  • Versão incorreta
  • Dados inconsistentes

Glosas

Mesmo que o XML seja tecnicamente aceito, inconsistências podem gerar glosa posterior.

Diferença entre XML rejeitado e glosa

SituaçãoO que acontece
RejeiçãoArquivo não é processado
GlosaPagamento é negado parcial ou totalmente

A rejeição ocorre antes da análise financeira.
A glosa ocorre depois.

Por que validar o XML TISS antes do envio?

A validação prévia:

  • Reduz retrabalho
  • Evita rejeições
  • Diminui glosas administrativas
  • Protege fluxo de caixa
  • Melhora previsibilidade financeira

Utilize sempre um software de qualidade para validar o seu arquivo TISS antes de enviar à operadora de saúde.

TISS e automação

Processos manuais aumentam a chance de erro.

Automação permite:

  • Validação automática
  • Atualização automática de versões
  • Conferência de campos obrigatórios
  • Redução de dependência humana

Impacto do XML TISS no faturamento médico

Um XML correto resulta em:

  • Pagamento mais rápido
  • Menos retrabalho
  • Menos glosas
  • Melhor controle financeiro

Um XML incorreto gera:

  • Atraso
  • Perda de receita
  • Custo administrativo extra

Boas práticas para trabalhar com TISS

✔ Manter sistema atualizado
✔ Conferir versão do layout
✔ Padronizar processos internos
✔ Utilizar checklists
✔ Validar antes do envio
✔ Monitorar rejeições

Indicadores para monitorar qualidade do TISS

  • Percentual de rejeição
  • Percentual de glosa
  • Tempo médio de correção
  • Volume de retrabalho
  • Tempo médio de recebimento

TISS em clínicas vs hospitais

Clínicas

  • Volume menor
  • Mais dependência manual
  • Maior risco de erro humano

Hospitais

  • Volume alto
  • Complexidade maior
  • Necessidade forte de automação

Segurança e rastreabilidade

O TISS permite:

  • Auditoria
  • Controle
  • Histórico de envios
  • Rastreamento de lotes

Isso aumenta a transparência no relacionamento com as operadoras.

O futuro do XML TISS

Tendências incluem:

  • Maior automação
  • Integração via APIs
  • Redução de intervenção manual
  • Uso de validação inteligente

A tendência é tornar o processo mais eficiente e menos suscetível a erros.

Conclusão

O XML TISS é peça central no faturamento médico da saúde suplementar no Brasil. Ele garante padronização, segurança e interoperabilidade entre prestadores e operadoras.

Entender como o XML TISS funciona, manter os sistemas atualizados e validar corretamente os arquivos antes do envio são passos fundamentais para evitar rejeições e glosas.

Em um cenário competitivo e regulado, dominar o XML TISS não é apenas uma obrigação técnica — é um diferencial estratégico.